quinta-feira, 30 de abril de 2015

A Idade e a mudança- Lya Luft

Certa vez, participei de um evento sobre o Dia da Mulher. Era um bate-papo com uma platéia composta de umas 250 mulheres de todas as raças, credos e idades. E por falar em idade, lá pelas tantas, fui questionada sobre a minha e, como não me envergonho dela,respondi. Foi um momento inesquecível… A plateia inteira fez um ‘oooohh’ de descrédito. Aí fiquei pensando: ‘pô, estou neste auditório há quase uma hora exibindo minha inteligência,  e a  única  coisa que provocou uma reação  calorosa  da mulherada foi  o fato de eu não  aparentar a idade que tenho? Onde é que nós estamos?
Onde não sei, mas estamos correndo atrás de algo caquético chamado ‘juventude eterna’.
Estão todos em busca da reversão do tempo.
Acho ótimo, porque decrepitude também não é meu sonho de consumo, mas cirurgias estéticas não dão conta desse assunto sozinhas. Há outro truque que faz com que continuemos a ser chamadas de senhoritas mesmo em idade avançada.
A fonte da juventude chama-se “mudança”.
De fato, quem é escravo da repetição está condenado a virar cadáver antes da hora. A única maneira de ser idoso sem envelhecer é não se opor a novos comportamentos, é ter disposição para guinadas. Eu pretendo morrer jovem aos 120 anos. Mudança, o que vem a ser tal coisa?
Minha mãe recentemente mudou do apartamento enorme em que morou a vida toda para um bem menorzinho. Teve que vender e doar mais da metade dos móveis e tranqueiras, que havia guardado e, mesmo tendo feito isso com certa dor, ao conquistar uma vida mais compacta e simplificada, rejuvenesceu.
Uma amiga casada há 38 anos cansou das galinhagens do marido e o mandou passear, sem temer ficar sozinha aos 65 anos. Rejuvenesceu.
Uma outra cansou da pauleira urbana e trocou um baita emprego por um não tão bom, só que em Florianópolis, onde ela vai à praia sempre que tem sol. Rejuvenesceu.
Toda mudança cobra um alto preço emocional. Antes de se tomar uma decisão difícil, e durante a tomada, chora-se muito, os questionamentos são inúmeros, a vida se desestabiliza. Mas então chega o depois, a coisa feita, e aí a recompensa fica escancarada na face.
Mudanças fazem milagres por nossos olhos, e é no olhar que se percebe a tal juventude eterna. Um olhar opaco pode ser puxado e repuxado por um cirurgião a ponto de as rugas sumirem, só que continuará opaco porque não existe plástica que resgate seu brilho… Quem dá brilho ao olhar é a vida que a gente optou por levar.

Olhe-se no espelho…

As pessoas são responsáveis e inocentes em relação ao que acontece com elas, sendo autoras de boa parte de suas escolhas e omissões.”
Lya Luft


quarta-feira, 29 de abril de 2015

Eu não existo sem mim


"Vinha passando pela vida sem me dar conta do quanto ela era importante pra mim. Eu me lembro que eu não sentia absolutamente nada, apenas deixava o tempo deslizar pelos meus dias... De repente, como por encanto eu descobri que eu existia, à partir daí tudo mudou.

Descobrir que eu não existo sem mim me fez pensar pra dentro, me enxergar como eu realmente sou e não como eu imaginava que eu fosse...

Às vezes passamos um tempo vivendo a vida que os outros traçaram para nós, assim sendo, não existimos.

E apesar de nunca ter me perdido, passei tempo demais para saber onde eu estava, por isso agora eu me procuro todos os dias... Quero estar sempre presente em mim!

Eu amo tanto a minha vida que, acho que se um dia eu tiver que parar de viver eu vou morrer!

By Marineide Dan


terça-feira, 28 de abril de 2015

Memória de ti...



Ainda bem que estava só. 
Ali a podia a fundo evocar.
 Subitamente, a sua memória picou-me a consciência, 
como um raio de luz diúrno, rápido, penetrante. 

Neste mesmo lugar estive há anos com sua alma.
Ela está dentro de mim como num santuário. 
Ocupa a minha capela-mor, 
e todos os outros afetos que vierem 
não serão mais que absidilos* (capelas menores), 
que florescerão apenas à volta da parte grande e indissolúvel 
deste Amor que me enriqueceu para sempre a vida - 
Queridíssima B.

(A. de Gurmão )
(Jardim de Braga, ao crepúsculo)
1959

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Eu sou...


Eu sou aquele que te faz sonhar. Aquele que te faz Amar.

Eu sou a Luz da tua Alma, a Fé do teu coração, a alegria do teu ser, a Vida que te sustenta.

Eu sou a Força que jamais te deixará, aquele a quem contaste as tuas alegrias e as tuas tristezas.

Eu sou a Energia que te impulsiona, passo a passo, rumo à tua realização e vitória.

Eu sou a Luz, a Força, o Amor e a Sabedoria, aquele que há tanto tempo procuras. Agora que me encontraste dentro de ti, contigo e através de ti brilharei, confirmando a todos que tiverem olhos para ver a Luz que um dia foi prometida.

Eu sou a poderosa Energia que a todos e a tudo sustenta. Em nome do Amor decreto: Vida, Luz, Amor, Liberdade em ti e no teu mundo. 

Agora e sempre. Eu sou o Sol que brilha no teu peito.

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Um amor para sempre...


De todas as lembranças que guardo da minha infância as que me são mais caras, e as que mais me comovem são as relacionadas ao meu avô paterno, falecido, quando eu tinha quase 10 anos de idade, no dia 15 de setembro de 1947, data que considero a do final da fase mais feliz, leve, fantasiosa e mágica da minha vida. 
Com ele se foi a minha infância e teve início uma antecipada pré-adolescência instigada por força das circunstâncias, as mesmas que causaram a sua morte tão sofrida. Mas, não quero lembrar essas coisas agora... Neste momento, só quero lembrar de meu avô brincando comigo, me pondo no colo para me contar histórias maravilhosas, fazendo-me viajar no mundo encantado da fantasia, povoado de fadas, sacis, príncipes e princesas, bruxas e gnomos. Ele era o meu herói, meu cavalheiro andante, meu primeiro amor... Amor eterno que mesmo tendo se passado 67 anos de sua partida, sua presença continua poderosamente viva em minha alma. 
Meu amado Avô Alexandre.



Quase


Ainda pior que a convicção do não e a incerteza do talvez é a desilusão de um quase. É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi. Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou. Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas idéias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no outono. 
Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor não me pergunto, contesto. A resposta eu sei de cór, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos "Bom dia", quase que sussurrados. Sobra covardia e falta coragem até pra ser feliz. A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai. Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são. Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza. O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si. 
Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance, para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência porém,preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer. Pros erros há perdão; pros fracassos, chance; pros amores impossíveis, tempo. De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance. Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar. Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.