terça-feira, 28 de abril de 2015

Memória de ti...



Ainda bem que estava só. 
Ali a podia a fundo evocar.
 Subitamente, a sua memória picou-me a consciência, 
como um raio de luz diúrno, rápido, penetrante. 

Neste mesmo lugar estive há anos com sua alma.
Ela está dentro de mim como num santuário. 
Ocupa a minha capela-mor, 
e todos os outros afetos que vierem 
não serão mais que absidilos* (capelas menores), 
que florescerão apenas à volta da parte grande e indissolúvel 
deste Amor que me enriqueceu para sempre a vida - 
Queridíssima B.

(A. de Gurmão )
(Jardim de Braga, ao crepúsculo)
1959

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