domingo, 15 de junho de 2014

Um eufemismo idiota e ridículo...


Nada me irrita mais do que ouvir pessoas afirmarem que a velhota de 65 anos de idade está na “Melhor Idade”. Já exteriorizei a minha abominação por este costume hipócrita de tentar mascarar com eufemismos idiotas a realidade dos idosos. Se a melhor idade é a que traz o Mal de Alzheimer, o Mal de Parkinson, a Arteriosclerose, a Artrose, o AVC, a limitação, depressão, as perdas dos entes queridos, a casa esvaziada e a família sumindo nas veredas da morte, então a velhice é mesmo uma delícia, uma felicidade absoluta. 
Considero um deboche a expressão “A Melhor Idade” em referência aos velhos e velhas, quando, na verdade, a melhor idade se resume aos nove meses que passamos no ventre das nossas mães. Em alguns casos esta experiência paradisíaca se prolonga até a idade da razão. Isto, quando se nasce de pais amorosos e presentes, que pode alimentar, acarinhar e educar a criança para ser um adulto digno, um ser do Bem. Para os muito pobres, a boa vida acaba ao ver a luz e começar a conviver com a miséria de todos os tipos que os rodeiam. 
Por melhor que seja a vida familiar e afetiva depois dos 65 anos nem tudo são flores. Pode-se até ter uma vida cheia de conforto, uma boa conta bancária... Mas já não se tem as velhas amigas e amigos, os parentes mais velhos, aquelas pessoas que cultivavam valores semelhantes aos nossos, gerando tanta identificação e deleitosos momentos de convivência. O que se tem são pessoas de gerações mais novas que, quanto mais recentes, mais distantes estão do universo mental, dos gostos, dos princípios e valores cultivados pelos idosos. Em algumas festas tradicionais (o Natal é uma delas) o idoso se sente como se estivesse em um espaço no qual todos falassem grego, chinês e ele, coitado, não consegue se comunicar. Sente-se um estrangeiro entre os novos e novíssimos membros da própria família e os amigos desta. Ninguém lembra o real motivo da festa natalina, da reunião familiar, Cristo é solenemente um esquecido, enquanto o pançudo Papai Noel, o usurpador do real dono da festa, é esperado pela criançada, é louvado como o doador de presentes e bugigangas, o eleito pelo comércio como motivador do consumo desvairado. Para Jesus, nem pipocas!
Neste Natal de 2014, com o ninho já vazio há muitos anos, decidi passar a noite santa comigo mesma, comendo pipocas (adoro pipocas) diante da televisão, assistindo um belo programa na TV Bandeirantes, sobre o Natal em uma cidade holandesa. A orquestra encheu meu espaço de som, alegria, serenidade e esplêndidas músicas. Foi uma bela noite de Natal. Depois da meia noite dei os parabéns a JESUS e à minha cidade NATAL, os aniversariantes do dia 25 de dezembro. Quanto a Papai Noel... Quem é mesmo Papai Noel? Ah! Sim! Lembrei! Ele é um senhorzinho na “Melhor Idade”. Hehehehehehehe.

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