sábado, 15 de fevereiro de 2014

Meu coração! Aguenta-te!


Sou como uma corda tensa e vertical,
cimentada na terra e perdida no céu, ressoando a tudo o que é vivo 
ou que é vida transposta para a Arte.

Meu coração! Aguenta-te!
Vida, poupa-me!

Sou um soldado para te servir fielmente como poucos,
atento a todos e aos mais ínfimos sinais
reveladores da tua presença 
 e da tua expressão.

Por toda a parte sinais de vida,
de luz, de música, de movimentos e de gestos
sendo indiferentes aos que sonharam e jamais puderam
participar desta natural e inesquecível alegria de existir!...
E é nestes instantes mais vivos que me dói a vida. 
Uma grande comoção se apodera de mim.

Há dias em que coisas de certo modo amargas se sucedem,
Então, confio no "esquecimento" que as fará submergirem
 na corrente constante da vida renovada e obscura.


(Adriano de Gusmão)

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